Mudança no clima pode ter agravado epidemia de dengue em Minas

A combinação de temperaturas acima da média histórica em Minas Gerais e a presença de água parada mesmo em períodos de seca podem ter contribuído para que o mosquito Aedes aegypti tenha encontrado, em 2019, condições ideais de reprodução, mesmo nos meses em que, tradicionalmente, o vetor costumava desaparecer do mapa.
A mudança climática, com termômetros marcando, em média, 1,7°C a mais que o registrado em anos anteriores, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), coincide com a instalação de uma epidemia de dengue que caminha para ser a pior da história no Estado.
Essa epidemia foi prolongada, provavelmente, porque a temperatura permitiu isso. Pode ser um reflexo do clima”, analisa Mauro Martins Teixeira, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue (INTC em Dengue), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O cenário observado em 2019 é o oposto do que é necessário para cessar o ciclo de reprodução do Aedes, que, segundo o coordenador do INTC em Dengue, não consegue sobreviver em temperaturas abaixo dos 16°C.
Para Teixeira, enquanto pesquisadores não encontram uma solução definitiva para combater a dengue, é preciso manter o combate diário ao mosquito. “Temos que evitar a água parada. Por enquanto, é o que podemos fazer”, conclui.

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